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A importância e as responsabilidades do escoramento e reescoramento para a saúde das estruturas

25 de agosto de 2021

escoramento-reescoramento Algumas anomalias ou vícios construtivos manifestam-se com os processos e técnicas de construção que não levam em consideração a interação da estrutura, e as propriedades físicas de seus materiais, com os equipamentos e técnicas utilizadas na fase de construção. Uma das fases mais críticas na utilização das estruturas pode acontecer durante a sua execução, quando lajes e vigas de concreto podem ser afetadas tanto pelos elevados carregamentos provenientes dos equipamentos utilizados, quanto pelo rearranjo estrutural causado por cargas exclusivas da fase construtiva. Em alguns projetos, fatores como a jovem resistência característica do concreto e o crescente módulo de elasticidade, ao longo do tempo de cura do concreto, são desconsiderados de forma equivocada. O compartilhamento de informações e uma interação entre especialidades de cálculo estrutural, plano de execução e projeto de escoramento ou o reescoramento são necessários para garantir a performance estrutural atrelada à segurança da obra e dos seus colaboradores. O residencial Lume, localizado no Rio de Janeiro, é um bom exemplo de sucesso e interação entre disciplinas para melhor qualidade da obra. Com uma previsão de 9 meses de execução, múltiplas lajes foram executadas simultaneamente, sendo necessário um plano de escoramento e reescoramento para atender a velocidade e segurança do empreendimento. O primeiro passo é diferenciar o que é escoramento, reescoramento e escoramento remanescente. Escoramento é toda estrutura que denominamos como provisória e possui a capacidade de resistir e transmitir todas as combinações de carregamentos, sejam permanentes ou variáveis. Esses carregamentos são resultantes do lançamento do concreto fresco e do trabalho associado a esse lançamento até que o concreto se torne autoportante, suportando o peso próprio sem necessidade de estruturas auxiliares, conforme especificações do engenheiro estrutural. Na retirada do escoramento, ocorre uma deformação (flecha), que é prevista em projeto. A utilização do reescoramento surge justamente para evitar deformações excessivas, ou redistribuir carregamentos que são superiores às especificações iniciais de projeto, evitando, assim, fissuras ou danos no concreto na fase de construção. Ou seja, em algum momento, o concreto se tornou autoportante e receberá cargas de outros pavimentos ou cargas de construção a que ele não foi projetado. Vale lembrar que a retirada do escoramento precipitada, mesmo que este não receba carregamentos superiores aos previstos em serviço, podem causar patologias à estrutura. Já no escoramento remanescente, não acontece a retirada da estrutura de escoramento, ou seja, não ocorre uma deformação (flecha) com o alívio das escoras. A aplicação do escoramento remanescente surge diretamente para evitar as deformações excessivas e absorver parcialmente as cargas dos pavimentos superiores. A análise das deformações de um sólido é tão importante quanto à análise das tensões atuantes, todo corpo sólido quando sujeito a ações de uma carga externa apresenta deformações e essas deformações são necessárias e inevitáveis para o ativamento ou trabalho da estrutura

RESPONSABILIDADES

Para definir as responsabilidades é preciso entender as particularidades do plano de execução e do projeto de escoramento. O plano de escoramento deve definir a logística de qual equipamento é necessário, em quais pontos este equipamento pode ter apoio, com quais critérios pode ser iniciada a desforma, além de ser necessário definir quais são as cargas que o escoramento deve transmitir. Já o projeto de escoramento deve delinear um equipamento que atenda aos requisitos exigidos pelo plano de escoramento, definindo se será executado um reescoramento ou um escoramento remanescente. Quem analisa a estrutura é o engenheiro estrutural, logo ele precisa contar com o apoio do engenheiro de campo para fornecer um cronograma viável e saber quais são as cargas resistentes dos equipamentos de reescoramento, com a ajuda das empresas especialistas. Em posse de todos os dados, ele pode elaborar um PLANO (definir qual reescoramento ou escoramento remanescente é necessário, em quais pontos pode ter apoio, com quais critérios pode ser iniciada a desforma, quais cargas o reescoramento deve transmitir, entro outros aspectos), e esse plano vira uma sugestão de projeto que as empresas de escoramento podem fornecer. E com a aprovação de TODOS: campo, estrutura e equipamento, cada um nas suas especialidades; o projeto pode ser liberado para execução ou construtora A responsabilidade do plano de reescoramento é da construtora, as parcerias fornecem todo o embasamento para a decisão. O melhor caminho é procurar uma empresa de escoramento qualificada, não pular etapas. O concreto precisa do tempo dele, planejamento é necessário. Tudo que um engenheiro de campo anseia é que a empresa especialista no escoramento apadrinhe sua obra, que conheça do equipamento; o engenheiro estrutural possui uma voz chave pela avaliação estrutural na fase construtiva e conhece as necessidades da estrutura. Não podemos permitir que patologias estruturais, que possuem um alto grau de dificuldade de perícia e mitigação, se propaguem pela falta de interação entre as disciplinas. As negligências ou desconhecimento dos processos podem desprender elevados custos de manutenção e conformidade, além de riscos e transtornos aos usuários. A cultura de solicitar ao engenheiro estrutural respostas do que houve de errado depois de não seguir o PLANO de execução deve ser abandonada. O hospital materno infantil da Serra, no Espírito Santo, foi um desafio de planejamento em todas as etapas de execução. Os escoramentos altos e uma geometria curva e sinuosa, foram um desafio à parte para os cuidados de escoramento remanescente. A estrutura precisou se manter escorada para evitar deslocamentos excessivos, assim evitando trincas ou patologias que seriam extremamente prejudiciais a sua utilização.

PROJETO DE REESCORAMENTO

Um projeto executivo e detalhado de reescoramento, deve ser dimensionado para transmitir a carga de projeto com valor absoluto ou parcial para a sua base de apoio, conforme o plano de reescoramento. Para um projeto eficiente, algumas informações precisam ser esclarecidas para a empresa que executará o escoramento e para o engenheiro estrutural que apresentará o PLANO de reescoramento:

  • Qual carregamento vai atuar efetivamente no reescoramento?
  •  Os pavimentos inferiores possuem resistência suficiente para receber as cargas de execução?
  • Qual a resistência característica (fckj) do concreto e qual o seu módulo de elasticidade (Ecoj) necessário para desforma sem conferir patologias a estrutura?
  • Qual o prazo para o início da desforma?
  • A disposição do escoramento é adequada a estrutura escorada?

O Plano de desforma considera o funcionamento da estrutura global. A deforma não pode ser feita tão somente quando o concreto estiver suficientemente endurecido para resistir às ações e deformações previstas, esse é um dos aspectos. Ela deve obedecer a característica e as condições de contorno que o calculista especificou inicialmente, por exemplo: a desforma de uma laje em balanço deve obedecer o momento negativo da armadura da laje, evitando assim alterações na concepção estrutural inicial ao qual a estrutura foi dimensionada. Um exemplo clássico de obra de reescoramento, foi o Túnel Rafael Mascarenhas, importante ligação entre a zona sul e a zona oeste do Rio de janeiro. Devido a um desabamento parcial causado pelo acúmulo de materiais da encosta, uma estrutura provisória foi utilizada para garantir a estabilidade, sem comprometer a condição de apoio inicialmente definida no projeto estrutural. Desde então a Unidade RIO da SH trabalhou a todo vapor no escoramento do Túnel, com o desafio de mantê-lo seguro para o trânsito de carros no menor intervalo de tempo possível, para que a cidade não tivesse sua circulação prejudicada.

Crédito: Miguel Costa – Coordenador Técnico da SH em Parceria com Minerva Civil UFRJ

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